Outro dia eu pensava
Sobre minha seca sina
Parei pra pensar sobre a vida
E o sol evaporava o suor
E o sangue se esquentava com o calor
Meu corpo cansado e sofrido
O futuro é meu pior inimigo
Miséria é a única coisa que enxergo
Pois a vida já está me deixando cego
A enxada na mão e os calos nos dedos
São marcas que carrego desde cedo
A barba mal feita e o chinelo
Já cortei cana, já tentei achar minério
Ontem ganhei uma dentadura
Fazia quatro anos que eu não ganhava uma
Trabalho duro não tenho preguiça
E os urubus aguardam minha carniça
Sou cabra macho nunca tive medo
E da seca tiro meu sustento
De pó e chão batido
Que alimentaram os meus sete filhos
Muito prazer senhor
Sou mais um velho do sertão
Com uma viola e um facão na mão
Bem vindo ao meu destino
Um velho nordestino.