O INSTANTE DA ESTÁTUA

Quando eu ficar velho
Vou querer sentar num banco de praça
Na frente dum um casal de jovens
Vou pensar sobre minha vida
E um pouco sobre minha morte

Vou querer ficar calado
E nem escrever nada
Dar alpiste aos pássaros
E quando um cachorro vir assustá-los
Contemplar sua avoada

Parado vou ver o movimento
Das pessoas, dos carros
E das folhas que caem com o vento
E sentir o simples momento
Que gera todo esse movimento

Vou querer ver o sol
Se pondo no fim de tarde
Só pra ter certeza
Que tudo o que acreditei sobre o universo
Era verdade

Sim vou querer sentir saudades
De todos os problemas
Pois os verdadeiros amigos
Ainda estarão comigo
Mesmo não estando mais vivos

Isso tudo antes de morrer
Pois depois quero virar estátua
E servir de nome pra uma praça

Pombas na minha cabeça
Pousaram de monte
Pras crianças servirei de esconderijo
No esconde-esconde

Vou ficar sempre de olho
Ouvindo tudo
E ninguém perceberá nada

Quando você se virar com lágrimas
Por eu não estar mais vivo
Você não verá
Mas darei um grande sorriso.